Venha, Villa!
Como na salada tropical, atraente em mistura de cores, odores, sabores e texturas, cujo nome já revela o calor da região e o não convencional, Villa-Lobos, de suas andanças e muita fantasia, juntou na bagagem inovações e estranhezas. Propõe para o resto do mundo e principalmente para nós mesmos o inusitado: que nosso cotidiano, de tão próximo e talvez por isso ignorado, seja a maior e mais nobre referência.
Em terras em que o idealizado fez-se distante, eis um mistério a ser desvendado, um conflito a ser ainda e sempre resolvido…
Tornou-se parques, praças e ruas, modernamente até centro comercial, mas segundo o que aprendemos já na infância, aos “santos de casa” não está permitido torná-los maior.
Arduamente (mas felizmente!) não é consenso – popular ou erudito? mito ou verdade? É brasileiro enfim, é mistura, sem tarja de fácil classificação. Conhecê-lo (e reconhecê-lo) dá trabalho. Requer reflexão, tempo, maturidade. Requer investimento dos que podem. E além disso, vontade dos que decidem.
Em século XXI, o desafio para mudanças bate-nos à porta. Quando enfim se encontrará a chave para que Villa possa também entrar no coração, na mente e na memória de sua gente?
Silvia de Lucca
FONTE: Artigo escrito a convite do redator André Zilar*, para o folheto de nº 7 que circulou durante a exposição que o Shopping Center Villa-Lobos, em São Paulo, realizou sobre o compositor em maio de 2009.
* da empresa Jotacom, responsável pela publicidade do Shopping Villa-Lobos